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A cara da Bossa e as capas de César Villela para a gravadora Elenco

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No final dos anos 1950, um grupo de músicos promovem uma revolução rítmica e harmônica na música brasileira tradicional: com “Chega de Saudade” (1958), composição de Tom Jobim e Vinícius de Moraes com violão gravado por João Gilberto, nascia a bossa nova, movimento que serviria de base para a formação da MPB e que daria, pela primeira vez, uma projeção internacional à música brasileira. 

A gravadora Elenco foi uma das responsáveis por “dar a cara” da bossa e ajudar na sua consolidação no cenário musical nos anos 1960. Criada em 1962 pelo músico e produtor musical Aloysio de Oliveira, a Elenco gravou artistas ligados ao movimento, como Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Roberto Menescal, Nara Leão, Baden Powell, entre outros. 

As 16 primeiras capas da gravadora foram feitas pelo designer César Villela, que criou um sistema gráfico para a Elenco: todas as capas trazem um fundo branco, quatro círculos vermelhos e um retrato do artista (ou ilustração) em alto-contraste. Esse sistema, ao mesmo tempo, deu unidade aos lançamentos da gravadora, sem anular a particularidade de cada disco. Mesmo depois da saída de Villela, outros capistas que trabalharam para a Elenco seguiram a sua linha de trabalho.  

Num artigo publicado na revista Estudos em Design, os pesquisadores Marcello Montore (USP) e Guilherme Mirage Umeda (USP) relacionam o minimalismo das capas de Villela para a Elenco com a “economia musical” da bossa nova: “Nas capas da Elenco foi onde Villela pôde levar a termo suas experiências com linguagem, eliminando o que considerava excessos gráficos de toda ordem. Sintomaticamente, a bossa nova realizou estratégica similar no campo musical, eliminando a voz grandiloquente dos cantores do passado (…); as letras que narravam tragédias da vida (…); e os arranjos que pesavam na ‘cozinha percussiva’ do samba”.

Abaixo, veja algumas capas publicadas pela Elenco: