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Cinco mulheres da música e da literatura brasileira

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No Mês das Mulheres, estamos trazendo conteúdo sobre artistas que carregam no peito o amor pela música e pela nossa cultura. Abaixo, listamos algumas personalidades que amplificam suas vozes também nas páginas dos livros, compartilhando com o público registros literários sobre suas vivências, lutas diárias e contribuições poéticas. Nesta seleção, constam diários, poemas, romances, livros para crianças, haicais, letras de músicas e crônicas. Uma dessas artistas, a Letrux, participa do projeto Afetos nesta quinta-feira (25/3). Às 19h, ela estará no nosso Instagram conversando com Lovefoxxx, do Cansei de Ser Sexy. 

Alice Ruiz

Foto: Eduardo Macarios

Autora de mais de vinte livros, Alice Ruiz escreveu canções que foram interpretadas por grandes nomes da música, como Arnaldo Antunes, Alzira E, Zélia Duncan e Itamar Assumpção, este último um de seus maiores parceiros musicais, com quem compôs Milágrimas, Devia Ser Proibido e Tristeza Não, entre tantas outras. Socorro, clássico gravado na voz de Arnaldo Antunes, também tem letra escrita por Alice Ruiz. 

Sua bibliografia é composta por livros de poemas, haicais e histórias para crianças, com destaque para títulos como Outro Silêncio, Haicais Tropicais e Dois em Um. Os textos de Alice se espalham pelo Brasil também por meio de antologias, gravações de poemas e participações em shows dos artistas com quem compõe. Além disso, foi responsável por ecoar ainda mais os textos de Paulo Leminski (1944-1989), poeta com quem foi casada por vinte anos, ao organizar todos os poemas já publicados pelo autor na coletânea Toda Poesia

Ana Frango Elétrico 

Foto: Hick Duarte

Reconhecida em 2019 como artista revelação da música pelo Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), a cantora Ana Frango Elétrico, nome artístico de Ana Faria Fainguelernt, já tem dois discos lançados: Mormaço Queima (2018) e Little Electric Chicken Heart (2019), ambos com composições de sua autoria. Em 2020, estreou na literatura com Escoliose: paralelismo miúdo. A obra reúne poemas, gravuras e ilustrações feitas pela artista entre 2015 e 2019. 

No posfácio assinado pela escritora e professora de Teoria Crítica de Cultura Heloisa Buarque de Hollanda, a intelectual afirma que encontrou no livro de Ana uma poesia com outro DNA geracional, “um DNA quase insolente, que, partindo radicalmente para o testemunho pessoal e localizado, desmistifica toda e qualquer aura da poesia […] em prol da liberação de uma fala corporal, libertária”. 

Fabiana Cozza

Foto: José de Holanda

Aclamada por crítica e público por seu álbum mais recente, Dos Santos (2020), Fabiana Cozza é dona de uma carreira de excelência na música,  conquistando reconhecimento na América Latina e África. Oito discos, prêmios e colaborações artísticas fazem parte de sua trajetória. Empenhada em multiplicar o alcance de sua obra, compromete-se também com trabalhos diversos nas artes, dos quais se destacam a interpretação de Dona Zica, esposa de Cartola, no musical Razão Social, e no audiolivro  Contos Negreiros, de Marcelino Freire, em que grava o fundo musical e participa da leitura de um conto.

Em 2017, publicou seu primeiro livro, Álbum Duplo, com poemas em português e espanhol. Na orelha escrita por Chico César, o artista reforça que “chega a ser perturbador o seu domínio sobre a palavra tanto em língua portuguesa quanto em espanhol. Impossível não pensar em Ana Cristina César ou Florbela Espanca”. Noemi Jaffe, escritora que assina a contracapa, reforça: “Quando se pensa no nome de Fabiana Cozza, pensa-se numa voz gigante a cantar. E não deixa de ser isso também o que ocorre nesses poemas. Uma potência que se reconhece numa voz que fala, sobretudo, de amor”.

Iara Rennó

Foto: José de Holanda

A paulistana Iara Rennó tem uma carreira inquietante. Cantora, instrumentista, produtora, performer, atriz e poeta, é autora de mais de 100 músicas que estão gravadas tanto em seus seis álbuns solo quanto em discos de artistas como Elza Soares, Ney Matogrosso, Gaby Amarantos, Jaloo, Ava Rocha, Virgínia Rodrigues, Lia de Itamaracá, Maria João Quadros e Tiago Nacarato.

Em outubro de 2020, a artista lançou AfrodisíacA – o álbum. O projeto é um híbrido de músicas e poesias extraídas de seu primeiro livro de poemas eróticos, Língua Brasa Carne Flor. O lançamento da obra culminou também na publicação artesanal de AfrodisíacA Poesia, livro de arte composto por pinturas e poemas. A edição, composta por apenas 99 exemplares, numerados e autografados, também oferece ao leitor uma experiência olfativa e gustativa por meio de páginas especiais que podem ser comidas.

Letrux

Foto: Ana Alexandrino

Letícia Novaes, conhecida como Letrux, é hoje em dia um dos maiores nomes da música independente no Brasil. Com composições autorais nos seus dois discos de carreira solo, Em Noite de Climão (2017) e Aos Prantos (2020), a artista conquistou ainda mais reconhecimento do público e da crítica. 

Recentemente, Letrux lançou o livro Tudo que já nadei: Ressaca, quebra-mar e marolinhas, composto por textões (ressaca), poemas (quebra-mar) e aforismos (marolinhas). A obra tem orelha escrita pela drag queen Rita Von Hunty e contracapa assinada pelo músico Lulu Santos, pela cantora e performer Linn da Quebrada e pela poeta Bruna Beber. Além de Tudo que já nadei, Letrux também tem em sua bibliografia o livro Zaralha: abri minha pasta, que reúne poemas, versos, fotografias e material produzido na infância por Letícia, como lições de casa e desenhos.

Preta Ferreira

Foto: Marina Decourt

Ativista por moradia em São Paulo, Janice Ferreira da Silva, a Preta Ferreira, ficou presa durante 108 dias, entre junho e outubro de 2019, com acusações baseadas em uma carta anônima. Da sua experiência de abuso e injustiça, Preta publicou a obra Minha carne: Diário de uma prisão, que relata os dias de cárcere, as etapas do sistema prisional, trâmites jurídicos e o que ouviu de outras mulheres com quem compartilhou esse tempo. 

O livro tem prefácio de Juliana Borges, autora de O que é encarceramento em massa?, da série Feminismos Plurais, e quarta-capa com textos da militante pelos direitos da população negra e filósofa norte-americana Angela Davis, da jurista, doutora em Direito e escritora Allyne Andrade e Silva, da cantora e compositora Maria Gadú e da líder do Movimento dos Sem-Teto do Centro (MSTC), Carmen Silva. Preta Ferreira, que também é cantora, compositora, atriz e produtora, lançou em 2019 o single Minha Carne. Em breve, também deve lançar seu primeiro álbum, ainda sem data de lançamento anunciada.

Preta Rara 

Foto: Divulgação

Em 2015, a rapper, historiadora e escritora Joyce Fernandes – a Preta Rara – lançou o disco Audácia, com composições sobre a realidade opressora a que são submetidas as mulheres e a população preta no Brasil. A artista também é criadora da página de Facebook Eu Empregada Doméstica, em que reúne as experiências que viveu quando trabalhou como empregada doméstica e onde também expõe relatos de abusos vividos por pessoas que exercem ou exerceram a profissão.

Sua experiência artística e a frente da página fomentaram a escrita do livro Eu, empregada doméstica: a senzala moderna é o quartinho da empregada, em que reúne relatos de violência sofridas por trabalhadoras de todo o país. Os textos explicitam o racismo estrutural presente no Brasil.

Ouça as músicas de algumas das artistas citadas